Letrônica
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Published By Edipucrs

1984-4301

Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39254
Author(s):  
Débora Luciene Porto Boenavides ◽  
William Moreno Boenavides

Este artigo, embasado no método sociológico proposto pelo Círculo de Bakhtin, tem como objetivo verificar os acarretamentos estilísticos das relações entre autora, herói e leitor em Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Para tanto, apresenta-se, primeiramente, a discussão proposta por Bakthin, Volóchinov e Medvedev sobre os aspectos determinantes da forma artística. Após, verifica-se o valor hierárquico do herói de Quarto de Despejo em relação à autora e ao oleitor projetado em seu discurso, o grau de aproximação entre a autora e o herói da obra e as inter-relações entre o leitor e a autora e entre o leitor e o herói considerando que estes (autor-herói-leitor) determinam internamente a forma e o estilo do diário enquanto gênero literário. A autora, socialmente subordinada e intimamente ligada ao objeto de seu discurso, busca denunciar as opressões ocasionadas por tal subordinação ao seu leitor, o qual tem por aliado e que, devido a esta aliança, também se relaciona negativamente com a fome.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39068
Author(s):  
Thallys Oliveira ◽  
Ana Emília Ferreira
Keyword(s):  

Neste trabalho, analisamos o modo como acontece, na obra Torto arado (2019), de Itamar Vieira Junior, o processo de evolução de consciência relacionada à condição de subalternidade a nível racial. Tal processo pode ser apreendido a partir das ações das personagens, que passam a assumir uma postura ativa frente à tradicional estrutura de exploração a que estão submetidas. A partir dos episódios apresentados pelas narradoras do romance, três mulheres negras que contam a própria história e a do grupo que integram, identificamos, descrevemos e interpretamos eventos que, em um primeiro momento, sinalizam um estágio de submissão das personagens, e que, em um segundo momento, sugerem um alcance de consciência a respeito de sua condição subalterna. A fim de embasar nossas proposições analíticas, apoiamo-nos nas considerações de Gayatri Spivak (2010), sobre o conceito de subalternidade; de Proença Filho (2004), a respeito da trajetória do negro na literatura brasileira; de Dalcastagnè (2008), acerca das relações raciais na literatura brasileira contemporânea; e de Albuquerque e Fraga Filho (2006), como referencial historiográfico.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39265
Author(s):  
Carolina Marinho Marcilio ◽  
Elisamar Pereira Martins ◽  
Yago José Eloi do Nascimento ◽  
Luciana de Mesquita Silva

Neste artigo, temos como objetivo discutir a representação do sujeito subalterno na literatura de Adolfo Caminha, a partir do romance Bom-Crioulo (1895). Para tanto, utilizamos o conceito de subalternidade com base nos pensamentos de Gramsci (1999; 2000) e Spivak (1987; 2014) em articulação com questões de raça, gênero e sexualidade e abordamos os movimentos literários Realismo e Naturalismo no Brasil, em diálogo com as questões sociais relativas ao final do século XIX, época em que a obra de Caminha foi publicada. Pautados nesses pressupostos teóricos, analisamos a construção do personagem Amaro, protagonista do referido romance, com foco na masculinidade negra e em questões de afetividade, considerando-se sua condição de sujeito subalterno por ser negro e homossexual.  


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39113
Author(s):  
Sara Grünhagen

N’O evangelho segundo Jesus Cristo, publicado em 1991, Saramago coloca orações judaicas na boca das suas personagens, como aquela, presente no Talmude, segundo a qual um homem deveria agradecer por não ser mulher. Neste trabalho busco analisar o modo como essas orações e outros textos judaicos são recuperados e trabalhados na narrativa, servindo para a construção das personagens, dos seus hábitos, da sua cultura e da sua religião. Como ocorre com a intertextualidade do romance com o texto bíblico, mais conhecida e estudada, a utilização dessas referências não é pacífica: Saramago busca, por exemplo, rever o lugar de subalternidade da mulher no tempo e espaço retratados. Procuro analisar a abordagem simultaneamente crítica, histórica e ficcional desses intertextos, que não deixam de ser valorizados por outras razões, como o seu caráter poético. Abordo, ainda, a maneira como esse diálogo pôde ser explorado por Saramago graças à ajuda e ao sidur de Sam Levy, uma figura importante para a história deste romance.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39226
Author(s):  
Francinaldo Pereira da Silva ◽  
Lucélia de Sousa Almeida
Keyword(s):  

 Este trabalho aborda questões de diversidade cultural dentro das divisões socioeconômicas apresentadas no romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, pautadas em uma visão de cultura brasileira para além do unitarismo. Nessas prerrogativas, objetivamos, de modo geral, investigar essa diversidade dentro das divisões culturais do romance, seja por um ideal estratégico de culturas de classe, seja por questões de nacionalidades. De modo específico, apresentar as estratégias de administração das diferenças culturais, bem como o contato que essa diversidade mantém entre si; discutir sobre culturas de classe e suas distinções operacionalizada pelo poder do capital e examinar os processos de contatos culturais na identificação do que é descrito como cultura brasileira no romance. Assim, metodologicamente, a nossa base teórica está pautada nas ideias de sociedade multicultural e do multiculturalismo, de Hall (2003), bem como em os poderes do capital numa distinção de culturas de classe, apoiados nos postulados de Bourdieu (1987), e das noções de interações entre culturas — aculturação, transculturação e hibridismos —, em Fernando Ortiz, Peter Burke (2006) e em outras bibliografias, que utilizamos para conceber nos resultados obtidos, através da análise das duas visões presente n’O Cortiço, o pertencimento e as posições das personagens frente a ideia de diversidade.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39264
Author(s):  
Joelma de Araújo Silva Resende ◽  
Raimunda Maria dos Santos ◽  
Jandira Lopes Pereira

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) começou a frequentar a escola aos sete anos, quando um rico fazendeiro resolveu pagar o estudo de algumas crianças pobres do bairro onde morava. Aprendeu a ler e escrever e parou de estudar no segundo ano. Em Quarto de despejo – diário de uma favelada retrata, de maneira autobiográfica, o cotidiano da vida na favela paulista entre 1955 e 1960. Através da escrita de um diário e com linguagem simples, tenta desabafar e expor os lamentos e tristezas de sua vida como mulher-negra-favelada. Assim, pretende-se investigar em que medida a Literatura constitui-se fonte de pesquisa para a compreensão da realidade histórico-social vivenciada pela mulher negra e favelada no Brasil. O estudo bibliográfico qualitativo fundamentou-se em contribuições teóricas de críticos como Raymond Williams (1969), Jaques Le Goff (2003) e Gayatri Spivak (2010). O resultado revela que, apesar da miséria e marginalização, a mulher negra pode construir um espaço em que ela tenha voz.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e38807
Author(s):  
Wilma dos Santos Coqueiro

De acordo com Zolin (2019), a ficção de autora feminina recente vive um momento de intensa produção, no qual as questões de gênero ainda aparecem mescladas a outras demandas das mulheres pós-modernas. Nesse sentido, o romance Meu marido, publicado em 2006, pela psicanalista carioca Lívia Garcia-Roza, traz como protagonista-narradora Bela, uma jovem de 30 anos, casada e mãe, que sofre com o esfacelamento de seu cotidiano familiar. Mesmo com uma personagem feminina sujeita à opressão, à tirania, ao silenciamento e aos constantes abusos físicos e psicológicos, infligidos pelo marido, o delegado Eduardo, a autora consegue dar visibilidade aos conflitos que permeiam o cotidiano de mulheres silenciadas pelas relações amorosas opressivas. Com efeito, esse artigo, que tem como objetivo uma reflexão sobre a representação da voz subalterna da personagem feminina no romance citado, respalda-se nos aportes teóricos dos estudos culturais e da crítica feminista, com estudos de, entre outros, Coelho (1993), Perrot (2005), Bonicci (2007), Bourdieu (2015) e Zolin (2019).


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39186
Author(s):  
Jacqueline de Moraes e Silva ◽  
Genilda Azerêdo

O objetivo deste artigo é discutir a ocorrência e os efeitos do silêncio nas obras Lavoura arcaica (1975), de Raduan Nassar, e no filme de Luiz Fernando Carvalho, intitulado LavourArcaica (2001). Tomamos como recorte a configuração das personagens Ana e André: sua inserção subalterna na família, sua ligação incestuosa, a culpa daí decorrente e como a psicanálise concebe o silêncio. Como a investigação é interdisciplinar, atravessando a literatura, o cinema e a psicanálise, buscamos fundamentos teóricos que contemplam as três áreas de estudo, de modo a considerar materializações do silêncio em duas linguagens semióticas distintas.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39035
Author(s):  
Arlindo Ferretti Junior ◽  
Euler Renato Westphal ◽  
Roberta Barros Meira
Keyword(s):  

O século XX foi marcado pela ascensão do cientificismo nas esferas política, econômica e social. O Brasil havia acabado de se tornar República, e grupos disputavam a importante missão de construir uma nova identidade nacional. Munidos das novas produções mundiais, escritores como Monteiro Lobato estabeleceram contato com relevantes cientistas. Este artigo procura discutir questões relativas à figura do Jeca Tatu como peça fundamental no processo de criação de uma identidade nacional brasileira que faz saltar aos olhos uma cultura rural que se esmaecia com a fúria da ciência e do progresso almejado pelo novo regime político. Para tanto, tratamos das representações do caipira brasileiro feitas pelo autor, principalmente nas páginas de “Urupês” (1914) e “Problema vital” (1918). A análise das fontes revela que o escritor paulista se apropriou das discussões científicas em torno do homem e da natureza brasileira para construir seus projetos de identidade nacional.


Letrônica ◽  
2021 ◽  
Vol 14 (3) ◽  
pp. e39082
Author(s):  
Antonia Claudia de Andrade Cordeiro

Este trabalho propõe uma reflexão sobre a representação de uma figura subalterna em Machado de Assis, a personagem Mariana, do conto “Capítulo dos Chapéus” (1883). Analisa-se como o autor, no âmbito da representação, constrói um sujeito feminino subalterno e como ele expõe as estruturas de poder em uma sociedade patriarcal, no contexto da segunda metade do século XIX no Brasil. Para esta análise, são considerados os seguintes aspectos de figuração da personagem:  história de vida,  traços fisionômicos,  retrato psicológico e  personagem em ação. Consideram-se também as relações que essa personagem estabelece com as demais e a imagem que ela constrói de si mesma a partir dessa interação. Busca-se também compreender como o narrador e as outras personagens atuam nesse processo de figuração e até que ponto eles revelam essa posição de subalternidade assumida por Mariana. Machado de Assis é visto como um escritor atento às questões de seu tempo, pois atesta, no contexto do Patriarcalismo da época, a supremacia masculina em relação à mulher. Os resultados também apontam para dois procedimentos típicos de Machado de Assis: o de lançar mão de diferentes perspectivas para dar a conhecer suas personagens e o de utilizar pormenores significativos que revelam muito dessas personagens.


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